Será possível manter a radicalidade profética ao assumir um cargo de poder, ou responsabilidade de quem ocupa um posto de mando obriga a renunciar às utopias, como se elas fossem "aventureirismo"? Esta questão ganhou atualidade desde que nossos companheiros e companheiras que assumiram cargos de direção no governo federal, abrandaram o discurso profético e adotaram o pragmatismo político. Não se trata aqui da questão ética, que também merece ser examinada em profundidade, mas sim do profetismo enquanto tal. Qual o seu lugar na política?
O que caracteriza o profetismo é a capacidade de alguém revelar, por gestos ou palavras, uma verdade oculta a outras pessoas. É bem conhecido o profetismo explicitamente religioso, que faz revelações de tipo "a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, que está nos céus" (Mt. 23,9), mas esta não é a única forma de profetismo. O profetismo que se aplica à política, é aquele que vem como denúncia e condenação - "Ai de vós! (...) Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade." (Mt. 23,23). - ou como anúncio de boa-notícia: "Vinde, benditos de meu Pai (...) porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes..."(Mt. 25,34-36).
* Sociólogo, Professor no Mestrado em Ciências da Religião da PUC-Minas e consultor do ISER-Assessoria
Autor/Fonte: Pedro A. Ribeiro de Oliveira *
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