MESA E PALAVRA: ESPAÇOS HUMANOS
Não só o alimento é imprescindível à mesa de refeição, mas também o uso da palavra. Pão e mesa; palavra e alimento; boca e ouvido. Se o coração estiver aberto e generoso, tudo está posto para o êxito de uma refeição fecunda, edificadora de humanidade nos comensais. Aos poucos a palavra vai entrando pelos ouvidos, como o alimento pelos olhos, olfato e boca. De repente, todos os sentidos são reativados, voltando-se para o encontro à mesa... Novamente a palavra se faz carne, toma forma de alimento e vai restabelecendo as áreas mais “aguadas” e sem sabor na vida dos comensais presentes.
“Pensamos demais e sentimos muito pouco. Mais do que de máquinas, precisamos é de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos é de bondade e compreensão.” As palavras de Charlie Chaplin em O grande ditador nos fazem perceber o universo do pão e da mesa como espaços grandiosamente humanos, cultivadores de sentimentos nobres, de gestos de escuta gratuita e generosa. O pão e a mesa têm uma musicalidade única de onde brotam palavras, que talvez em outro espaço fossem muito mais difíceis de surgir, de se encarnar. Uma palavra não se encarna (toma forma) em qualquer lugar, de qualquer maneira, principalmente aquela carregada de sentimento e vida internos.
“Mais do que máquinas, precisamos é de humanidade... de bondade e compreensão.”
À mesa da refeição recorre a humanidade faminta: faminta de humanização , de presença, de acolhida, de diálogo, de compreensão. É o desumano se re-humanizando, o faminto se alimentando, o sedento se saciando. E aos poucos a “água” torna-se “vinho” – novamente um milagre acontece, pois “onde dois ou mais estão reunidos” à procura de si mesmos, do outro e do Criador a vida se revela.
Fonte: CONVERGÊNCIA–
Revista mensal da Conferência dos Religiosos do Brasil - CNBB
Ano XLIV – nº 422 – junho 2009, pp. 418/419
Texto de Eugênio Martins Barbosa, sss e Marcelo Silva, sss
Síntese elaborada por Ir. Marisé dos Santos, IJE
